MTG aperta o cerco contra as bombachas “skinny”

Versão considerada correta é mais larga (à esq.), considerando o tamanho da cintura, entre outras regras estabelecidas

     Em ofício enviado na quarta-feira passada aos coordenadores das 30 Regiões Tradicionalistas do Estado, o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) emitiu um alerta: o uso da bombacha está “descaracterizado”. O problema apontado seria o crescimento do uso da peça “muito estreita” e “totalmente fora do padrão”. A entidade refere-se às bombachas conhecidas como campeiras ou castelhanas e versões ainda mais justas que têm circulado por aí.

     O texto aborda apenas a vestimenta masculina e é assinado pelo presidente do MTG, Nairioli Antunes Callegaro, e pelo vice-presidente da entidade, José Araújo Silva. Ao ressaltar que o MTG é o guardião da cultura tradicional do Rio Grande do Sul, o documento diz que “a bem da verdade, o que a grande maioria está usando está muito mais próximo do padrão de uma calça do que o padrão definido para bombacha”.
O MTG define que, na Festa Campeira do Rio Grande do Sul que será realizada a partir de amanhã até domingo, será exigido “rigorosamente” o uso correto da indumentária de todos os participantes, conforme o artigo 67 do Regulamento Campeiro do Estado do Rio Grande do Sul e as Diretrizes para a Pilcha Gaúcha. No segundo documento, está especificado que cada perna deve ter a largura da cintura do indivíduo (veja os detalhes abaixo). Na prática, a orientação desestimula o uso da bombacha campeira. O uso é mais comum na Fronteira Oeste, em razão da influência da Argentina e do Uruguai.

     A Zero Hora, Callegaro afirma que a orientação foi produzida para “valorizar o gaúcho e a nossa região, o Rio Grande do Sul” em meio ao crescimento no uso da bombacha mais justa “nos últimos cinco ou 10 anos”. Ele refuta o argumento de que a peça evolui com o tempo — diz que a bombacha larga remete às nossas origens — e pede aos gaúchos para aderirem a um “pacto pela bombacha”.

— Temos de revitalizar o uso correto. Há vezes em que não se sabe se a pessoa está com bombacha ou com calça. Sempre cuidamos disso em nossos eventos, mas agora orientamos todo o Rio Grande. O objetivo é lançar um pacto pela bombacha. Em nossos eventos, não aceitamos a bombacha castelhana. Respeitamos que eles usam lá, mas temos de preservar o nosso costume. Senão, quem somos? Meio gaúchos, meio castelhanos, meio cowboys?— questiona o presidente do MTG.

Uso maior entre os jovens e no campo

Ana Laura Gozzi, gerente da Botas Gozzi, loja que vende roupas e acessórios tradicionalistas presente em Porto Alegre e Soledade, explica que a bombacha mais justa é usada sobretudo no campo, pela praticidade na hora de montar a cavalo. Ela acrescenta que o uso cresce entre os jovens pouco acostumados à cultura tradicionalista, mas interessados pela vestimenta.

— Vemos que quem usa é quem tem interesse, mas não tem um vínculo tão forte com a tradição. São pessoas que querem participar, mas não se importam tanto com as regras. Quem está acostumado a usar jeans estranha uma bombacha mais larga, e aí prefere a mais justa. Tem público para tudo — afirma.

    A polêmica entre bombacha larga e justa é antiga, segundo o compositor, historiador e mestre em literatura Vinícius Brum.

– Não vejo polêmica no assunto. O MTG produz internamente suas regras e quem adere ao movimento irá respeitá-las. Quem não adere faz do jeito que quiser – resume.

     A consultora de moda Patrícia Pontalti defende o uso da bombacha tradicional, mais larga, por ser “uma das peças mais ricas da nossa cultura nativa”. Ao mesmo tempo, ela entende ser natural que indivíduos adaptem a indumentária de forma a fazer-lhes sentido. E complementa que, hoje, há um movimento, na moda, pregando o uso de roupas oversized – isto é folgadas mesmo.

– Quando a gente é jovem, conduzimos nosso gosto de forma a transgredir o conceito do ambiente em que se está.

    E, claro, há a questão de transformar em algo que faça sentido para você. Se há um movimento jovem ingressando no nativismo, eles vão conduzir seus códigos para o ambiente. Visualmente, a bombacha skinny faz sentido, embora eu prefira a tradicional – afirma, aconselhando o uso de bombachas largas com camisa ou camiseta mais justa, para fazer um contraste de proporção.
Como deve ser uma bombacha, segundo o MTG
Tecido
Brim (não jeans), sarja (lã), linho, algodão, oxford, microfibra. É vedado o uso de bombachas plissadas e coloridas.

Cores

Claras ou escuras, sóbrias ou neutras, tais como marrom, bege, cinza, azul-marinho, verde-escuro e branca. Fuja das cores agressivas, fosforescentes, contrastantes e cítricas, como vermelho, amarelo, laranja, verde-limão, cor-de-rosa.

Padrão
Liso, listradinho e xadrez discreto.

Modelo
Cós largo sem alças, dois bolsos na lateral, com punho abotoado no tornozelo.

Favos
O uso de favos e enfeites de botões (devem ser do tamanho daqueles utilizados nas camisas, vedados os de metal) depende da tradição regional. As bombachas podem ter, nos favos, letras, marcas e botões. Quando usar favos, deverão ser da mesma cor e tecido da bombacha. Os desenhos serão idênticos em uma e outra perna

Largura
Com ou sem favos, coincidindo a largura da perna com a largura da cintura, ou seja, uma pessoa que use sua bombacha no tamanho 40, automaticamente deverá ter, aproximadamente, uma largura de cada perna de 40 cm de tal forma que não seja confundida com uma calça.

Uso
As bombachas deverão estar sempre para dentro das botas

FONTE: GaúchaZH

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